Médicos britânicos comparam riscos das redes sociais ao tabagismo e alertam para crise de saúde pública
Médicos britânicos classificam o uso de redes sociais como uma ameaça à saúde pública comparável ao tabagismo, destacando aumento de casos de angústia mental e lesões físicas em jovens. Relatório da Academy of Medical Royal Colleges aponta exposição a conteúdos de ódio e perturbadores como fator de radicalização. Governo do Reino Unido avalia proibir acesso a plataformas para menores de 16 anos.
Alerta de saúde pública
A Academy of Medical Royal Colleges, que reúne as principais instituições médicas do Reino Unido, divulgou um relatório no qual compara os riscos das redes sociais aos do tabagismo e do não uso do cinto de segurança. Dos 454 médicos entrevistados, metade afirmou tratar pelo menos uma criança por semana com problemas de saúde mental ou lesões físicas diretamente relacionadas ao consumo de conteúdos online. Os profissionais destacaram uma 'onda de crianças radicalizadas' devido à exposição a materiais 'de ódio, viciantes e extremamente perturbadores'.
Consulta pública e posições políticas
O alerta ocorre no último dia de uma consulta pública iniciada em janeiro pelo governo trabalhista britânico, que avalia a proibição do uso de redes sociais para menores de 16 anos, seguindo o modelo australiano. O primeiro-ministro Keir Starmer deve se reunir com pais que atribuem às redes sociais a morte de seus filhos, incluindo Esther Ghey, mãe de uma adolescente transgênero assassinada em 2023, e Ian Russell, cujo filho de 14 anos cometeu suicídio após acessar conteúdos pró-suicídio. Wes Streeting, ex-secretário de Saúde e potencial rival de Starmer, comparou o comportamento das big techs ao da indústria do tabaco.