Atlas latino-americano redefine conceito de patrimônio cultural e inclui bens imateriais e traumas históricos
Pesquisadores de 13 países da América Latina lançam atlas que expande o conceito de patrimônio cultural, incluindo bens imateriais, paisagens e espaços associados a experiências traumáticas. Estudo genético revela terceira onda migratória não documentada na América do Sul, ocorrida há cerca de 1.300 anos, com participação inédita de biomédica indígena.
Expansão do conceito de patrimônio cultural na América Latina
O entendimento tradicional de patrimônio cultural, restrito a edificações históricas e obras de arte, foi ampliado na América Latina. Um atlas recém-lançado, elaborado por 40 pesquisadores de 13 países da região, inclui bens imateriais como práticas, saberes e celebrações, além de paisagens e espaços associados a experiências traumáticas. Entre esses espaços estão prisões, manicômios, locais ligados à escravidão e centros de repressão durante ditaduras. A mudança rompe com a tradição de valorizar apenas projetos arquitetônicos históricos e reflete uma abordagem mais inclusiva e diversificada.
Descoberta genética revela terceira onda migratória na América do Sul
Um estudo genético sequenciou 128 genomas de 45 povos indígenas de oito países sul-americanos e identificou uma terceira onda migratória não documentada, ocorrida há aproximadamente 1.300 anos. A pesquisa destaca a participação da biomédica Putira Sacuena, da Universidade Federal do Pará (UFPA), primeira mulher indígena a atuar na área de antropologia genética. A geneticista Tábita Hünemeier, da Universidade de São Paulo (USP), coordenou o estudo, que reforça a importância da diversidade na pesquisa científica.