Ilhas Canárias rejeitam atracação de cruzeiro com surto de hantavírus; líder exige reunião com primeiro-ministro da Espanha
O governo regional das Ilhas Canárias, na Espanha, se opôs à permissão para que o navio de cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, atraque no arquipélago. O líder Fernando Clavijo solicitou reunião urgente com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, alegando falta de critérios técnicos e informações suficientes para garantir a segurança pública. O navio, com quase 150 passageiros, deve seguir para Tenerife, onde passageiros e tripulantes serão examinados e tratados antes de serem repatriados.
Surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius
O navio de cruzeiro MV Hondius, operado pela companhia holandesa Oceanwide Expeditions, enfrenta um surto de hantavírus, vírus transmitido principalmente por roedores infectados e que pode causar problemas respiratórios, cardíacos e febres hemorrágicas. Ao menos três mortes foram confirmadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) neste domingo (3): um casal holandês e um cidadão alemão. Um cidadão britânico foi evacuado e está em terapia intensiva na África do Sul. Passageiros infectados foram retirados do navio no porto de Praia, em Cabo Verde, nesta terça-feira (5), e transferidos para aeronaves-ambulância. A companhia ainda não esclareceu como os passageiros contraíram o vírus ou se há outros casos a bordo.
Decisão das Ilhas Canárias e resposta do governo espanhol
Fernando Clavijo, líder do governo regional das Ilhas Canárias e membro do Partido Popular (PP), afirmou que a decisão de rejeitar a atracação do MV Hondius não se baseia em critérios técnicos e que não há informações suficientes para tranquilizar a população. Clavijo solicitou uma reunião urgente com o primeiro-ministro Pedro Sánchez para discutir o assunto. O Ministério da Saúde da Espanha, por sua vez, informou que o navio deve atracar na ilha de Tenerife, nas Canárias, onde passageiros e tripulantes serão examinados por equipes médicas antes de serem transferidos para seus países de origem. O ministério justificou a decisão alegando que Cabo Verde não possui capacidade para realizar a operação e que a Espanha tem obrigação moral e legal de auxiliar, incluindo cidadãos espanhóis a bordo.