Museu das Lembranças preserva história da Nakba em campo de refugiados palestinos no Líbano
O 'Museu das Lembranças', localizado no campo de refugiados de Chatila, em Beirute, mantém viva a memória da Nakba, a catástrofe palestina de 1948. Criado em 2004, o museu reúne objetos, fotos e documentos que registram a expulsão de mais de 750 mil palestinos de suas terras. Ali Al-Khatib, um dos responsáveis pelo acervo, relata histórias pessoais e coletivas de perda e resistência.
Acervo e significado histórico
O 'Museu das Lembranças' foi fundado por Mohammad Al-Khatib, irmão de Ali Al-Khatib, enquanto trabalhava na Organização das Nações Unidas (ONU). O acervo inclui itens coletados de famílias palestinas durante a Nakba, período entre 1947 e 1949, quando centenas de milhares de palestinos foram forçados a deixar suas casas para a criação do Estado de Israel. Objetos como máquinas de costura, fotografias, livros e documentos históricos compõem o museu, servindo como evidências da limpeza étnica enfrentada pela Palestina ao longo de 78 anos. A máquina de costura Singer italiana de Fátima, mãe de Ali, é um dos símbolos mais marcantes do acervo, representando a resiliência e as perdas sofridas pela família.
Histórias pessoais e tragédias coletivas
Ali Al-Khatib compartilha a trajetória de sua família, marcada por deslocamentos forçados e violência. Sua mãe, Fátima, conseguiu salvar uma máquina de costura Singer durante um bombardeio em Nabatieh, em 1974, que resultou na morte de seu pai. No entanto, a máquina foi perdida dois anos depois, durante o massacre de Tal al-Zaatar, perpetrado por falangistas cristãos maronitas, no qual outro irmão de Ali foi morto. A perda da máquina de costura, considerada insubstituível por Fátima, ilustra o impacto emocional e material das sucessivas tragédias enfrentadas pelos palestinos no Líbano e em outros países da diáspora.