Deserto do Atacama se torna lixão global de roupas usadas com 39 mil toneladas descartadas anualmente
O Chile importa 123 mil toneladas de roupas usadas por ano, das quais cerca de 39 mil toneladas são descartadas ilegalmente no deserto do Atacama. A zona franca de Iquique, principal ponto de entrada, recebe contêineres dos EUA, Canadá, Europa e Ásia, mas apenas parte é revendida ou exportada. O descarte irregular gera impacto ambiental e econômico na região.
Importação e descarte irregular
O Chile é um dos maiores importadores de roupas usadas do mundo, com 123 mil toneladas anuais entrando pelo porto de Iquique, na zona franca Zofri. Desse total, estima-se que 39 mil toneladas sejam descartadas ilegalmente no deserto do Atacama. As roupas chegam de países como EUA, Canadá, Europa e Ásia, mas apenas uma fração é revendida localmente ou exportada para outros países latino-americanos. A Zofri, criada em 1975 para impulsionar o desenvolvimento econômico do norte chileno, abriga cerca de 50 empresas especializadas na importação desses produtos, que empregam principalmente mulheres da região para classificar as peças por qualidade.
Impacto ambiental e econômico
O descarte irregular de roupas usadas no deserto do Atacama gera um grave problema ambiental, com pilhas de resíduos se acumulando em uma região árida e estéril. Além disso, o setor movimenta a economia local, empregando cerca de 10% das mulheres da região em atividades de triagem, apesar de não exigir qualificação especializada. As peças de menor qualidade acabam no mercado La Quebradilla, onde são comercializadas ou abandonadas, agravando a poluição no ecossistema.