Piracicaba aprova projeto que proíbe plantio de espatódea, árvore tóxica para abelhas e beija-flores
A Câmara Municipal de Piracicaba (SP) aprovou em primeira discussão um Projeto de Lei que proíbe o plantio e a produção da árvore espatódea (Spathodea campanulata), permitindo o corte das existentes com reposição por espécies nativas. A medida visa proteger abelhas e beija-flores, intoxicados por compostos tóxicos presentes nas flores da árvore. O projeto ainda precisa de segunda aprovação e sanção do prefeito para entrar em vigor.
Impacto ambiental e controvérsias
O vereador Zezinho Pereira (União Brasil), autor do projeto, justificou a proposta com base nos impactos negativos da espatódea à fauna local, especialmente abelhas e beija-flores, que são intoxicados pelo néctar da árvore. Segundo a professora Denise Alves, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/USP, estudos comprovam a toxicidade do néctar da espatódea para insetos, comparável ao efeito de inseticidas domésticos. A espécie, originária da África, não coevoluiu com a fauna brasileira, o que explica sua nocividade. No entanto, a vereadora Silvia Morales (PV) argumentou contra o projeto, destacando a falta de evidências científicas definitivas sobre os impactos negativos e os benefícios ambientais das árvores já existentes, como sombra, abrigo para animais, regulação da temperatura e proteção do solo. O projeto ainda precisa ser aprovado em segunda discussão e sancionado pelo prefeito Helinho Zanatta (PSD) para se tornar lei.