Cacique Raoni, ícone da luta indígena, permanece hospitalizado aos 93 anos e reflete sobre legado e futuro das demarcações
O cacique Raoni Mẽtyktire, uma das principais lideranças indígenas do Brasil, está internado desde 19 de junho no Hospital São Paulo (Unifesp) sob cuidados intensivos. Com idade estimada em 93 anos, Raoni enfrenta fragilidade física, mas mantém preocupações com a demarcação de terras e o futuro de seu povo, os Mebêngôkre (Kayapó). Seu neto, Takakpe Tapayuna Mẽtyktire, destaca a importância do livro 'Memórias do Cacique', que registra relatos de Raoni sobre sua trajetória, cosmologia e desafios enfrentados pelos indígenas.
Trajetória e legado de Raoni
Raoni Mẽtyktire, cacique do povo Mebêngôkre (Kayapó), é uma das lideranças indígenas mais reconhecidas globalmente. Seu povo habita terras indígenas localizadas entre o norte de Mato Grosso e o sul do Pará, formando um dos maiores corredores contínuos de floresta protegida na Amazônia brasileira. Com idade estimada em 93 anos, Raoni é símbolo da resistência indígena e da luta pela demarcação de terras no Brasil. Desde 19 de junho de 2026, ele está internado no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sob cuidados intensivos de uma equipe médica especializada em saúde indígena.
Preocupações atuais e futuro das demarcações
Em entrevista ao The Conversation Brasil, Takakpe Tapayuna Mẽtyktire, neto de Raoni e assessor político-institucional do Instituto Raoni, relatou que o cacique enfrenta fragilidade física, mas mantém preocupações com a demarcação de terras e o futuro de seu povo. Takakpe, pedagogo e intérprete do avô, participou da elaboração do livro 'Memórias do Cacique' (Companhia das Letras, 2025), que reúne relatos de Raoni em língua Mebêngôkre, traduzidos para o português e organizados com apoio do antropólogo Fernando Niemeyer. O livro aborda a infância de Raoni, a cosmologia Mebêngôkre, sua atuação política e as transformações vividas pelo povo Kayapó.