Exportações globais de café crescem 0,8% em março, mas embarques do Brasil recuam 16,8%
As exportações mundiais de café verde atingiram 11,7 milhões de sacas de 60 quilos em março de 2026, registrando crescimento de 0,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Enquanto o robusta alcançou recorde de 5,52 milhões de sacas, impulsionado pelo Vietnã, as exportações brasileiras de arábica natural caíram 16,8%, para 2,71 milhões de sacas, refletindo desafios no mercado de cafés de maior valor agregado.
Desempenho global e por variedades
O relatório da Organização Internacional do Café destacou o crescimento de 0,8% nas exportações globais de café verde em março de 2026, totalizando 11,7 milhões de sacas. O robusta, utilizado principalmente em cafés solúveis e blends, registrou alta de 24%, atingindo 5,52 milhões de sacas, o maior volume já registrado para a variedade. O Vietnã, maior produtor mundial de robusta, foi o principal responsável pelo avanço, com aumento de 30,3% nos embarques. Em contrapartida, os 'outros suaves', categoria que inclui arábicas da América Central, cresceram apenas 0,9%, somando 2,59 milhões de sacas. A Colômbia, outro grande produtor de arábica, enfrentou queda de 33,8% nas exportações, para 880 mil sacas, devido a problemas de abastecimento interno.
Retração nas exportações brasileiras de arábica
O Brasil, conhecido pela produção de arábicas naturais — cafés de maior valor agregado e qualidade —, registrou queda de 16,8% nas exportações dessa variedade em março de 2026, totalizando 2,71 milhões de sacas. A Cooxupé, uma das maiores cooperativas de café do mundo, destacou que sua produção de arábica atende a rigorosos padrões de sustentabilidade, mas o mercado global tem enfrentado oscilações na demanda por cafés especiais. A retração brasileira contrasta com o desempenho positivo do robusta no cenário internacional, evidenciando uma mudança temporária nas preferências do mercado.