Quadrilhas de agiotas no RS usam extorsão e ameaças de morte para cobrar dívidas com juros de até 100%
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga quadrilhas de agiotas que atuam na Zona Sul de Porto Alegre e Região Metropolitana, utilizando contas de laranjas e ameaças físicas e psicológicas para cobrar dívidas. Os juros chegam a 100%, e vítimas relatam necessidade de vender bens e abandonar residências para escapar das cobranças.
Esquema criminoso estruturado
As investigações revelam que as quadrilhas operam de forma organizada, com divisão de tarefas entre os criminosos. Segundo o delegado Arthur Raldi, titular da 16ª Delegacia de Polícia (DP), os agiotas impõem um 'regime de terror físico e psicológico' às vítimas. As cobranças incluem ameaças de morte, invasões de domicílio e sequestros. A delegada Luciane Bertoletti, da 3ª DP de Canoas, destacou que os criminosos possuem acesso a dados pessoais das vítimas, o que facilita a extorsão e o constrangimento.
Perfil das vítimas e métodos de abordagem
As vítimas são pessoas endividadas e sem acesso a crédito bancário convencional. Elas são atraídas por anúncios em redes sociais ou indicações, com promessas de parcelas acessíveis. No entanto, a dívida se torna impagável com o tempo. Em Canoas, panfletos colados em postes ofereciam R$ 3.300 em crédito rápido, sem burocracia e sem consulta de crédito. A Polícia Civil investigará a origem desses anúncios. Além disso, foi identificado um golpe que utiliza contas de luz para enganar as vítimas.
Crimes associados e penas
As quadrilhas são acusadas de cometer crimes como extorsão, sequestro, cárcere privado, tortura e associação criminosa. As penas para esses delitos podem chegar a 10 anos de reclusão. Vítimas relatam que, para escapar das cobranças, precisaram vender bens, abandonar suas casas e até mesmo deixar os empregos.