Polícia Federal aponta movimentação financeira suspeita de R$ 30 milhões em restaurante de MC Ryan SP
A Polícia Federal identificou movimentação financeira superior a R$ 30 milhões entre abril de 2024 e outubro de 2025 no Bololô Restaurant Bar, ligado ao cantor MC Ryan SP. Investigação aponta indícios de uso da avó do artista como 'laranja' e possível ligação com a facção PCC. O restaurante teria servido como veículo para arrecadação bancarizada da organização criminosa.
Movimentação financeira incompatível e suspeitas de lavagem
De acordo com relatório da Polícia Federal, o Bololô Restaurant Bar, localizado em São Paulo e ligado ao cantor MC Ryan SP, registrou movimentação financeira de mais de R$ 30 milhões entre débitos e créditos no período de abril de 2024 a outubro de 2025. O valor é considerado incompatível com o porte e a atividade econômica do estabelecimento. A PF sustenta que o restaurante funcionaria como um veículo de integração e possível posto de arrecadação para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Blindagem patrimonial e uso de familiar como 'laranja'
Após ser alvo de buscas e apreensões da Polícia Civil por supostos vínculos com o PCC e esquemas de rifas ilegais, MC Ryan SP saiu formalmente da sociedade do restaurante. Em seu lugar, entrou sua avó materna, que declara renda de R$ 25 mil, mas teve movimentações milionárias em sua conta pessoal. Para a PF, a substituição teria sido uma tentativa de ocultar o beneficiário final e desvincular a imagem do artista de transações suspeitas, mantendo o controle financeiro dentro do núcleo familiar.
Transações atípicas e ligações com organizações criminosas
O monitoramento bancário identificou que o restaurante recebeu recursos de 152 contrapartes com histórico criminal ligado ao tráfico de drogas e organizações criminosas. Foram detectados pagamentos atípicos, entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, valores considerados incompatíveis com o consumo de refeições. A hipótese dos investigadores é que o estabelecimento servia para o recolhimento da 'cebola', termo utilizado para se referir à mensalidade paga por membros de facções criminosas à organização.