China defende não interferência após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas
O governo chinês reforçou sua posição de não interferência nos assuntos internos de outros países após os EUA classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão dos EUA, que entra em vigor em 5 de junho, foi criticada pelo Brasil, que alerta para riscos à soberania nacional e possíveis intervenções externas.
Posição da China e reação brasileira
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, reiterou nesta sexta-feira (29) que Pequim defende a não interferência nos assuntos internos de outros países. A declaração ocorreu às vésperas da visita do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, à China, marcada para domingo (31). Mao Ning afirmou que a China 'notou os relatórios pertinentes' sobre a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos, anunciada na quinta-feira (28). O governo brasileiro, por meio do assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, criticou a medida. Amorim argumentou que 'equiparar o crime organizado ao terrorismo não ajuda' e defendeu que o combate a essas organizações deve ser feito 'com a máxima energia e determinação', mas de forma soberana, sem interferência externa.
Riscos à soberania e críticas de especialistas
Especialistas em relações internacionais alertam para os riscos da classificação imposta pelos EUA. Gilberto Maringoni, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), afirmou que a medida poderia tornar o Brasil vulnerável a intervenções de Washington, com imposição de acordos assimétricos e submissão de ações repressivas locais a leis estadunidenses. 'O Estado brasileiro deve ser implacável no combate ao crime, mas de forma soberana e sem interferência externa', destacou. Thomaz Delgado de David, doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP), avaliou que a decisão representa 'um sério risco à soberania brasileira'. A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras foi anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA e entrará em vigor em 5 de junho, após reuniões do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com autoridades estadunidenses, incluindo o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio.