CEO da Barnes & Noble defende venda de livros escritos por IA com rotulagem clara
O CEO da Barnes & Noble, James Daunt, afirmou que a rede não tem problemas em vender livros escritos por inteligência artificial, desde que sejam claramente rotulados e não se passem por obras humanas. A declaração gerou polêmica entre autores independentes e comunidades online, que criticam a prática por considerar que tais obras ocupam espaço de autores reais e configuram plágio.
Condições para venda de livros com IA
James Daunt, CEO da Barnes & Noble, declarou em entrevista ao programa "Today" que a livraria está disposta a comercializar livros escritos por inteligência artificial, desde que duas condições sejam atendidas: a obra deve ser rotulada como "escrita por IA" e não deve se passar por uma criação humana. Daunt enfatizou que a decisão final cabe ao consumidor, desde que a transparência seja mantida. "Enquanto um livro escrito por IA disser que é escrito por IA e não fingir ser algo que não é, e não estiver plagiando alguém, desde que isso esteja claramente declarado e o cliente queira comprá-lo, nós os venderemos", afirmou.
Reações e críticas nas redes sociais
A declaração de Daunt gerou reações intensas em plataformas como TikTok, Reddit e X (antigo Twitter). Comunidades de leitores e autores independentes expressaram preocupação com a possibilidade de livros gerados por IA ocuparem espaço nas prateleiras que poderia ser destinado a obras de autores humanos. Alguns usuários compararam a prática ao plágio, argumentando que a IA se baseia em obras preexistentes para gerar novos textos. Um usuário no TikTok, identificado como @mjdeloybooks, resumiu a indignação: "Buckle up because I have thoughts" (em tradução livre, "Aperte os cintos porque tenho opiniões").
Contexto e precedentes
Não é a primeira vez que o tema gera controvérsia. Em setembro de 2024, o autor Tim Boucher publicou um artigo no The Information intitulado "Sou um autor que usa IA com orgulho para escrever meus livros", o que desencadeou uma onda de críticas. Boucher defendeu sua posição, argumentando que acusações de fraude ou plágio ignoram o fato de que ele é transparente sobre o uso da tecnologia. A discussão reflete um debate mais amplo sobre o papel da IA na criação literária e os limites éticos de sua utilização.