USP de São Carlos desenvolve primeira bateria recarregável 100% de nióbio do mundo
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos criaram uma bateria recarregável feita exclusivamente de nióbio, superando desafios técnicos de degradação do metal. A descoberta, protegida por patente, abre caminho para aplicações eletroquímicas avançadas e reforça o potencial do Brasil como líder na produção do minério.
Desafios e inovação tecnológica
O nióbio, metal abundante no Brasil e estudado globalmente há anos, sempre enfrentou obstáculos para uso em baterias devido à sua rápida degradação em contato com água e oxigênio. Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP superaram essa limitação ao desenvolver o NB-RAM, uma 'caixa de proteção inteligente' que estabiliza o metal. Segundo o professor Frank Nelson Crespilho, o nióbio funciona como um interruptor com múltiplos estados de oxidação, cada um capaz de armazenar diferentes níveis de energia. 'Fora de um ambiente controlado, ele enferruja e quebra. Criamos uma estrutura que permite seu uso sem degradação', explicou.
Potencial e aplicações futuras
A bateria de nióbio representa um avanço significativo para a indústria de armazenamento de energia, especialmente por utilizar um recurso no qual o Brasil detém cerca de 98% das reservas mundiais. Luana Cristina Italiano Faria, doutoranda envolvida no projeto, destacou que a maior dificuldade foi chegar à forma ativa do nióbio. A pesquisa, além de gerar um dispositivo funcional, resultou em um depósito de patente junto à USP, garantindo a propriedade intelectual da tecnologia. O desenvolvimento pode impactar setores como eletrônicos, veículos elétricos e sistemas de energia renovável.