Cannes 2026: Inteligência Artificial divide opiniões entre cineastas e se torna tema central do festival
O Festival de Cannes 2026 é marcado por debates intensos sobre o uso da inteligência artificial (IA) no cinema. Enquanto alguns profissionais ainda resistem à tecnologia, outros exploram ferramentas de IA assistiva para otimizar processos como dublagem e ajustes de produção, destacando um cenário de curiosidade e adaptação.
IA como ferramenta de apoio, não substituição
Durante o Festival de Cannes 2026, cineastas e profissionais da indústria discutem o papel da IA no cinema. Scott Mann, cofundador da Flawless, empresa especializada em ferramentas de IA para cinema, usa um broche com a frase "Fuck AI" como forma de provocar debates. No entanto, ele defende o uso de IA assistiva, que auxilia em processos como dublagem em idiomas estrangeiros, ajustes de sincronia labial e alterações de roteiro sem ameaçar direitos autorais ou a criatividade humana. "Precisamos nos unir para combater o uso inadequado da tecnologia, mas não podemos ignorá-la", afirmou Mann.
Diferenças entre IA assistiva e generativa
O festival destaca a distinção entre dois tipos de IA: a assistiva e a generativa. A IA assistiva é vista como uma aliada, focada em aumentar a eficiência em tarefas técnicas, como a adaptação de diálogos para diferentes mercados. Já a IA generativa, baseada em modelos de linguagem avançados, gera preocupações por sua capacidade de criar conteúdo sem controle criativo ou ético, como deepfakes ou roteiros automatizados. "A IA generativa ainda parece sugar valor do trabalho legítimo dos criadores", observou um participante de um painel sobre o tema.
Eventos e debates sobre IA dominam a programação
Cannes 2026 dedica uma parte significativa de sua programação a debates sobre IA, com simpósios, painéis e demonstrações práticas. Em um evento realizado em um iate, cerca de 100 profissionais discutiram estratégias para integrar a tecnologia de forma ética e eficiente. A discussão reflete uma mudança de tom: de pânico e hostilidade para uma abordagem mais pragmática, explorando como a IA pode tornar a produção cinematográfica mais viável economicamente sem comprometer a qualidade artística.