Seminário sobre Antissemitismo no Itamaraty Expõe Divisões e Debate sobre Definição
Um seminário no Itamaraty sobre o enfrentamento ao antissemitismo em Brasília foi marcado por debates sobre a definição do termo e a exclusão de grupos judaicos progressistas. Lideranças sionistas majoritariamente presentes defenderam a adoção da definição da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), enquanto entidades críticas à postura de Israel denunciaram ter sido impedidas de se pronunciar.
Debate sobre Definição de Antissemitismo e Exclusão de Grupos
O seminário "Enfrentamento ao antissemitismo: reflexões sobre o cenário internacional", realizado no Itamaraty em 16 de abril de 2026, centrou-se na discussão sobre a definição de antissemitismo. O evento contou com a presença majoritária de lideranças sionistas, incluindo o presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), Cláudio Lottenberg. Entidades como Árabes e Judeus pela Democracia, Árabes e Judeus pela Paz, Articulação Judaica de Esquerda e Vozes Judaicas por Libertação relataram terem sido impedidas de se pronunciar e optaram por não participar.
Adoção da Definição IHRA e Contexto Brasileiro
Palestrantes como o professor George Legmann, sobrevivente do Holocausto, Sofia Débora Levy (Stand With Us) e Cláudio Lottenberg defenderam a adoção da definição da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). Esta definição, que pode equiparar críticas ao Estado de Israel a antissemitismo, tem sido discutida em projetos de lei no Brasil. O governo Lula se retirou da posição de membro-observador da IHRA em 2025, antes de se juntar formalmente à ação da África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça. A embaixadora Maria Laura, uma das organizadoras do seminário, afirmou que o Brasil não deseja fazer parte de grupos restritos e já possui legislação que equipara o antissemitismo ao racismo.