Fila do Sisreg para diagnóstico de autismo no Rio de Janeiro atinge 14 mil pacientes e sobrecarrega famílias
A fila do Sistema de Regulação (Sisreg) para diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) no Rio de Janeiro alcançou 14 mil pacientes em maio de 2026. Famílias relatam dificuldades não apenas para obter o diagnóstico, mas também para garantir tratamento contínuo na rede pública de saúde, com espera de até 180 dias por consultas que frequentemente não são realizadas.
Diagnóstico e tratamento: uma luta de anos
Famílias como a de Rita de Cássia enfrentam uma verdadeira peregrinação para assegurar atendimento adequado a seus filhos. João Paulo, de 21 anos, está no espectro autista e possui comorbidades como TDAH, falha auditiva, deficiência intelectual e dislexia. Apesar do diagnóstico, ele não consegue acesso a profissionais como psicólogos, terapeutas ocupacionais ou fisioterapeutas na rede pública. 'Ele fica trinta dias sem comer nada. Ele necessita e aqui só mandam ele pra nutrição', relata Rita, destacando a seletividade alimentar extrema do filho. A mãe afirma que, após oito anos na fila do Sisreg, ainda não obteve respostas efetivas: 'A gente fica 180 dias aguardando e quando passa os 180 dias a gente escuta que não tem'.
Falta de profissionais e consultas não realizadas
Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro revelam que, entre junho e agosto de 2024, mais de 5 mil consultas com neuropediatras não foram realizadas na rede pública. No mesmo período, quase 5,5 mil avaliações multiprofissionais para investigação de pacientes com suspeita de TEA também não ocorreram. Micael, de 7 anos, é outro exemplo: diagnosticado aos 6 anos, ele aguarda há um ano na fila do Sisreg por atendimento multidisciplinar. Sua mãe, Suele, relata a frustração de não conseguir avançar no tratamento: 'Com 6 anos ele recebeu o diagnóstico e desde então ele está na fila do Sisreg'.