Salário médio de trabalhadores domésticos formais ultrapassa R$ 2 mil no Brasil, mas formalidade cai
Levantamento do Ministério do Trabalho revela que a remuneração média dos empregados domésticos com carteira assinada atingiu R$ 2 mil em dezembro de 2025, o maior valor já registrado. No entanto, o número de trabalhadores formais na categoria caiu de 1,64 milhão em 2015 para 1,3 milhão em 2025, apesar dos avanços trazidos pela PEC das Domésticas.
Avanços e desafios na formalização
A PEC das Domésticas, aprovada em 2013 e regulamentada em 2015, garantiu direitos trabalhistas equivalentes aos demais trabalhadores formais, como assinatura da carteira para quem trabalha ao menos três dias por semana para o mesmo empregador. A doméstica Eliene Pereira da Silva, que trabalha na casa da advogada Ângela Junck desde 2011, destaca a segurança proporcionada pela formalização: 'Antes, eu trabalhava de diarista, aqui e ali, não tinha essa segurança que eu tenho hoje'. A advogada reforça a importância da formalização para comprovação de tempo de trabalho e aposentadoria.
Queda na formalidade e informalidade persistente
Apesar do aumento salarial, o número de trabalhadores domésticos com carteira assinada diminuiu de 1,64 milhão em 2015 para 1,3 milhão em 2025. O economista Renan Pieri, da FGV EAESP, atribui a queda a fatores como a redução de mensalistas em favor de diaristas e mudanças no perfil demográfico das famílias. Além disso, estima-se que 1,5 milhão de trabalhadores ainda atuem na informalidade, segundo o Instituto Doméstica Legal.