Recuperação extrajudicial de empresas dispara no Brasil em 2026 com dívidas bilionárias
O número de empresas brasileiras que recorrem à recuperação extrajudicial cresceu significativamente em 2026, impulsionado por juros elevados e mudanças legislativas. A Raízen, com dívida de R$ 65,1 bilhões, é um dos casos mais recentes. Setores como indústria, mineração, varejo e agronegócio lideram os pedidos, refletindo dificuldades financeiras agravadas pela taxa Selic em 14,25% ao ano.
Aumento recorde de pedidos
Os pedidos de recuperação extrajudicial no Brasil saltaram de 16 em 2021 para 84 em 2025, segundo dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). Em 2026, até julho, outras 33 empresas já adotaram o mecanismo. O crescimento é atribuído à alta taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25% ao ano, que aumentou o custo de empréstimos contraídos durante a pandemia, quando a Selic estava em 2% ao ano. Além disso, uma reforma legislativa de 2020 tornou o processo mais flexível, permitindo negociações antes da necessidade de recuperação judicial.
Setores mais afetados e impacto econômico
Empresas dos setores de indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística lideram os pedidos de recuperação extrajudicial. A Raízen, gigante do setor de açúcar e etanol, é um dos casos mais emblemáticos, com dívida de R$ 65,1 bilhões. Especialistas destacam que a recuperação extrajudicial evita os custos e impactos reputacionais da recuperação judicial, que envolve todos os credores e pode comprometer o acesso a linhas de crédito e a operação dos negócios.