Canetas emagrecedoras expõem desigualdade no acesso à saúde no Brasil
Levantamento da NielsenIQ Brasil revela que apenas 5% dos lares brasileiros utilizam canetas emagrecedoras, apesar de 25,7% da população adulta enfrentar obesidade. Especialistas alertam para o impacto financeiro desses medicamentos e a disparidade no acesso a tratamentos eficazes, como Wegovy, Ozempic e Mounjaro, que podem reduzir até 22% do peso corporal.
Desigualdade no acesso a tratamentos
Um levantamento da NielsenIQ Brasil, divulgado em abril de 2026, aponta que as canetas emagrecedoras estão presentes em apenas 5% dos lares brasileiros. Desse grupo, 84% relatam impacto alto ou moderado no orçamento mensal devido ao custo desses medicamentos. Segundo dados do Vigitel (Ministério da Saúde), 25,7% dos adultos no Brasil sofrem com obesidade, condição associada a doenças como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares. Especialistas destacam que a desigualdade social limita o acesso a tecnologias como Wegovy, Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida), que podem promover perda de peso entre 17% e 22%.
Impacto global e desafios
O endocrinologista Paulo Miranda, coordenador do Departamento Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ressalta que o alto custo dos medicamentos é um problema global, gerando debates sobre a inclusão dessas tecnologias em sistemas de saúde públicos e privados. "É preciso haver a inclusão dessas medicações dentro de um custo aceitável para o público que pode se beneficiar desses tratamentos", afirma Miranda. A falta de acesso pode levar pacientes a desistirem do tratamento ou recorrerem ao mercado ilegal, agravando riscos à saúde.