Brasil tem menos transparência em anúncios nas redes sociais que União Europeia e Reino Unido, aponta estudo
Um estudo realizado pelo NetLab da UFRJ em parceria com a Universidade de Cambridge revelou que o Brasil possui níveis significativamente menores de transparência em anúncios nas redes sociais em comparação com a União Europeia e o Reino Unido. A falta de acesso a dados sobre quem paga, quanto é gasto e qual público é atingido dificulta o monitoramento da influência do dinheiro na política. O estudo destaca que a Meta é a única plataforma com ferramentas de transparência minimamente acessíveis no país, criando um 'monopólio da publicidade político-eleitoral' formal, enquanto outras plataformas como TikTok e X não oferecem ferramentas de consulta para conteúdos políticos no Brasil.
Falta de transparência e impacto político
O estudo 'Data Not Found' identificou que a ausência de dados claros sobre publicidade nas redes sociais prejudica pesquisadores e a sociedade civil em anos eleitorais. No Brasil, a transparência foi classificada como 'insuficiente' ou 'indisponível' na maioria das plataformas, enquanto o Reino Unido apresenta níveis mais altos de transparência.
O cenário das plataformas no Brasil
A Meta (Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp) possui uma biblioteca de anúncios, mas os dados são apresentados em faixas de valores, dificultando auditorias precisas. Outras plataformas como Google, TikTok e X possuem políticas que limitam ou proíbem anúncios políticos no Brasil, o que cria um 'mercado paralelo' de publicidade que não é capturado por ferramentas de transparência.
Desafios regulatórios e transparência seletiva
A pesquisa aponta que as empresas oferecem diferentes níveis de transparência dependendo das exigências regulatórias de cada região. No Brasil, a transparência é frequentemente classificada como 'insuficiente' ou 'insignificante', enquanto na União Europeia e no Reino Unido os níveis são superiores. O estudo defende a criação de regras comuns e mecanismos de acesso aos dados que não dependam apenas das escolhas individuais das empresas.