Casos de sarna em animais silvestres disparam 700% no interior de SP e acendem alerta ambiental
Casos de sarna em animais silvestres no interior de São Paulo registraram aumento de 700% nos últimos oito anos, segundo dados da associação Mata Ciliar, em Jundiaí. A doença, transmitida pela proximidade com áreas urbanas, afeta espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, e exige tratamentos intensivos para reabilitação. Especialistas destacam a urgência de medidas para conter o avanço da enfermidade.
Avanço da doença e impactos ambientais
O crescimento de 700% nos casos de sarna em animais silvestres no interior de São Paulo foi registrado pela associação Mata Ciliar, sediada em Jundiaí. A enfermidade, causada por ácaros, tem se espalhado devido à aproximação dos animais com áreas urbanas, onde entram em contato com cães e gatos domésticos infectados. Um dos casos emblemáticos é o de um lobo-guará resgatado em Pedreira (SP) em dezembro de 2025, encontrado debilitado e com lesões características da doença. O animal passou por cirurgia e tratamento intensivo, incluindo quarentena para evitar a transmissão a outros indivíduos em reabilitação. Segundo o veterinário Lucas Pereira de Jesus, a expansão urbana desordenada e a fragmentação de habitats naturais são fatores determinantes para o aumento dos casos. "A sarna compromete a capacidade de sobrevivência dos animais, causando queda de pelos, lesões na pele e dificuldade de locomoção", explicou. Equipes utilizam armadilhas fotográficas para monitorar áreas afetadas e identificar animais contaminados, que apresentam sinais como perda de pelagem e comportamento letárgico.
Reabilitação e desafios para a conservação
Após o resgate, os animais infectados são submetidos a um protocolo rigoroso de reabilitação. No caso do lobo-guará de Pedreira, considerado um sucesso pelos veterinários, o tratamento envolveu exames clínicos, administração de medicamentos e estímulos para readaptação ao ambiente natural. "O trabalho em equipe e o uso de tecnologia, como câmeras de monitoramento, foram essenciais para a recuperação", destacou a associação Mata Ciliar. Após a quarentena, os animais são transferidos para áreas de adaptação gradual, onde recebem treinamento para caça e interação social antes de serem reintroduzidos na natureza. O lobo-guará, espécie ameaçada de extinção, desempenha papel crucial no ecossistema do cerrado brasileiro. Conhecido como "semeador da natureza", o animal contribui para a regeneração da vegetação ao dispersar sementes por meio das fezes. Especialistas alertam que o avanço de doenças urbanas sobre áreas de mata nativa representa uma ameaça crescente à biodiversidade, exigindo ações coordenadas entre órgãos ambientais, ONGs e comunidades locais para conter a disseminação da sarna e outras zoonoses.