CNRS enfrenta divergência ética em projeto de expansão de primatas para pesquisas biomédicas na França
Projeto francês para ampliar de 300 para 1.800 o número de primatas disponíveis para pesquisas biomédicas gera controvérsia. O Comitê de Ética do CNRS emitiu parecer com 'posição divergente', questionando a justificativa científica e a análise de alternativas ao uso de animais. O investimento de € 30 milhões visa reduzir dependência de importações, especialmente da China, e alcançar autossuficiência em macacos cinomolgos, rhesus e babuínos até 2030.
Contexto e objetivos do projeto
O Centro Nacional de Primatologia, vinculado ao CNRS, propôs a expansão do número de primatas não humanos disponíveis para pesquisas biomédicas na França, de 300 para 1.800 animais. O projeto, orçado em mais de € 30 milhões, foi motivado pela escassez de primatas durante a pandemia de Covid-19, quando a China, principal fornecedora global, restringiu exportações. O objetivo é garantir autossuficiência em macacos cinomolgos (Macaca fascicularis), macacos-rhesus e babuínos, atendendo a cerca de um terço da demanda francesa até o início da década de 2030. Esses animais são amplamente utilizados em pesquisas devido à semelhança genética, fisiológica e anatômica com humanos.
Questionamentos éticos e científicos
O Comitê de Ética do CNRS emitiu um parecer com 'posição divergente' sobre o projeto, destacando a falta de uma justificativa científica rigorosa e a necessidade de uma análise detalhada das alternativas ao uso de primatas. A bióloga evolucionista Virginie Courtier-Orgogozo, diretora de pesquisa do CNRS, manifestou oposição pública ao projeto. Christine Noiville, presidente do Comitê de Ética, afirmou que o CNRS deve garantir um plano ambicioso que detalhe casos em que a substituição de animais é viável. Entre 2021 e 2023, a França utilizou uma média anual de 747 primatas não humanos em pesquisas, enquanto o Reino Unido utilizou 181 no mesmo período.