O retorno das vozes potentes no R&B
O cenário do R&B tem passado por uma transição na valorização das habilidades vocais. Após uma década marcada pelo 'vibe&B' e pelo uso extensivo de Auto-Tune — que priorizavam a atmosfera e a identificação lírica em detrimento de técnicas vocais complexas — especialistas e produtores indicam que o público está começando a valorizar novamente o 'belting' e a técnica clássica. O texto explora como a influência de artistas como Drake e a ascensão de plataformas como o TikTok moldaram o consumo atual, mas aponta que o sucesso de artistas como Kehlani, Jazmine Sullivan e a busca por autenticidade humana frente à IA estão impulsionando um retorno às raízes do gênero, onde a habilidade técnica vocal volta a ser um diferencial de destaque.
A mudança de paradigma
Durante décadas, o R&B foi definido por vocalistas que exibiam técnicas virtuosas e a influência das igrejas negras. No entanto, a partir dos anos 2010, uma vertente mais etérea e menos focada em 'acrobacias' vocais ganhou força, impulsionada por artistas como Frank Ocean e The Weeknd. Essa mudança foi acompanhada por uma preferência do público por 'relatabilidade' em vez de técnica pura.
O impacto da tecnologia e da cultura
Produtores como D’Mile e Bryan-Michael Cox apontam que a popularização do Auto-Tune e a mudança nos canais de distribuição (como SoundCloud e TikTok) permitiram que artistas sem grandes capacidades vocais alcançassem o topo. O texto discute como a 'perda' da base das igrejas negras também contribuiu para que o público atual se sentisse menos inclinado a apreciar o que era considerado 'muito técnico' ou 'muito churchy'.
O renascimento do 'Sanger'
O cenário atual mostra sinais de uma recalibração. O sucesso de faixas com vocais mais tradicionais e o aumento no streaming de ícones como Whitney Houston e Chaka Khan sugerem que o público está pronto para o retorno das vozes potentes. Artistas como Kehlani e Jazmine Sullivan são citadas como exemplos de uma nova geração que equilibra a modernidade com a técnica vocal clássica, sinalizando que o R&B está recuperando o espaço para os 'belters'.