Mianmar propõe pena de morte para líderes de 'fábricas' de golpes online com trabalho forçado
Governo de Mianmar apresentou projeto de lei que prevê pena de morte para responsáveis por sequestrar ou coagir pessoas a trabalhar em centros de golpes online. As 'fábricas' de fraudes, que operam com tráfico humano, geraram mais de US$ 20 bilhões em 2025, segundo o FBI. O texto também inclui prisão perpétua para gerentes e autores de fraudes com criptomoedas.
Contexto e proposta legislativa
O governo de Mianmar, liderado pelo general Min Aung Hlaing, apresentou na quinta-feira (14) um projeto de lei que propõe a pena de morte para indivíduos que sequestrarem ou coagirem pessoas a trabalhar em centros de golpes online. A medida visa combater as chamadas 'fábricas' de fraudes, que se proliferaram no país desde 2021, em meio à guerra civil. O texto também prevê prisão perpétua para gerentes dessas instalações e autores de fraudes envolvendo criptomoedas. Além disso, o projeto menciona a criação de um comitê para cooperar internacionalmente no combate a essas atividades ilícitas, dada a alta incidência de vítimas estrangeiras.
Esquema bilionário e condições de trabalho
As 'fábricas' de golpes online em Mianmar operam com trabalho forçado, envolvendo milhares de pessoas, muitas delas vítimas de tráfico humano. Um exemplo é a KK Park, onde funcionários eram obrigados a cumprir cotas semanais de vítimas, sob risco de punições. Os golpes mais comuns incluem fraudes românticas e esquemas com criptomoedas. Segundo o FBI, essas centrais geraram mais de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) em 2025, destacando a escala do problema. O projeto de lei busca coibir práticas como violência, tortura e detenção ilegal, que são usadas para forçar as vítimas a participarem dos golpes.