Polilaminina: Estudo revisado por pares sobre tratamento para lesões medulares será publicado, afirma cientista
A cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, anunciou que um estudo revisado por pares sobre a polilaminina, proteína derivada da placenta para regeneração de nervos lesionados, está prestes a ser publicado. O tratamento experimental, desenvolvido em parceria com a farmacêutica Cristália, ganhou notoriedade após resultados promissores em testes com animais e um estudo preliminar divulgado em 2024. O governo federal acompanha a pesquisa com otimismo, mas ainda não há previsão de disponibilização para uso clínico.
Contexto e expectativas
A polilaminina, proteína extraída da placenta humana, é investigada como potencial tratamento para lesões na medula espinhal. Tatiana Sampaio, professora da UFRJ e responsável pela pesquisa, confirmou à Reuters que um estudo revisado por pares será publicado em breve, embora não tenha especificado a revista científica ou a data de divulgação. A substância busca estimular a regeneração de nervos danificados, um avanço significativo para pacientes com paralisia ou limitações motoras. O tratamento ganhou destaque após a farmacêutica Cristália adquirir a patente da tecnologia e divulgar um estudo preliminar (preprint) em 2024, que apontou resultados promissores em modelos animais. Desde então, pacientes e familiares têm buscado acesso ao medicamento experimental, inclusive por meio de ações judiciais. A repercussão levou a polilaminina a ser mencionada em eventos públicos, como no Carnaval de 2026, quando o cantor João Gomes a classificou como 'a maior celebridade' presente.
Posicionamento do governo e próximos passos
O governo federal demonstrou apoio à pesquisa, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacando que a polilaminina foi o primeiro produto analisado pelo Comitê de Inovação da Anvisa. Padilha afirmou que, caso os resultados dos estudos clínicos sejam positivos, o tratamento poderá ser disponibilizado rapidamente à população. No entanto, especialistas alertam que a publicação de um estudo revisado por pares é apenas uma etapa do processo. Ainda são necessários testes adicionais para comprovar a segurança e eficácia em humanos, além de regulamentação pela Anvisa. Enquanto isso, a demanda por acesso ao tratamento continua a crescer, com pacientes de diversas regiões do Brasil e até do exterior buscando alternativas para lesões medulares.