Quase 5 mil acadêmicos belgas pedem rompimento de laços com universidades israelenses por cumplicidade em violações de direitos
Um grupo de 4,7 mil acadêmicos, estudantes e detentores de títulos honorários de universidades belgas lançou uma carta aberta exigindo o fim de colaborações com instituições israelenses acusadas de envolvimento em violações do direito internacional na Faixa de Gaza e territórios palestinos ocupados. O documento, intitulado 'Não há honra na cumplicidade', representa mais de 10% do corpo docente do país e inclui figuras como a relatora da ONU Francesca Albanese e a ativista Greta Thunberg.
Reivindicações e justificativas
Os signatários da carta apresentam quatro demandas principais: o encerramento imediato de todas as parcerias com universidades e empresas israelenses envolvidas em ocupação, apartheid ou violência genocida; uma moratória sobre novas colaborações; pressão das instituições belgas sobre autoridades nacionais e europeias para o cumprimento de obrigações legais internacionais; e apoio estrutural ao ensino superior palestino por meio de bolsas, programas de pesquisa e cooperação acadêmica. O documento critica a alegada neutralidade das universidades belgas, argumentando que a manutenção de laços com entidades israelenses as torna cúmplices de violações de direitos humanos.
Impacto e apoio internacional
A mobilização é uma das maiores da história acadêmica recente da Bélgica, contando com o apoio de figuras proeminentes como a relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese; a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard; a ativista climática Greta Thunberg; o escritor ganhador do Nobel J. M. Coetzee; e o ator e escritor Stephen Fry. Os organizadores destacam que a iniciativa reflete um crescente movimento global de boicote acadêmico a instituições ligadas a Israel, similar a campanhas históricas contra o apartheid na África do Sul.