Avaliação da CAPES impacta futuro dos programas de pós-graduação no Brasil
A mais recente avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) redefine critérios e metas para programas de pós-graduação no país, gerando debates sobre qualidade, produtividade e pressão acadêmica. Especialistas analisam os efeitos das mudanças na pesquisa e formação de mestres e doutores.
Novos critérios e pressão por produtividade
A CAPES implementou alterações nos critérios de avaliação dos programas de pós-graduação, priorizando indicadores como publicações em periódicos de alto impacto, internacionalização e formação de recursos humanos. Segundo o pesquisador Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília (UnB), a nova metodologia aumenta a pressão sobre docentes e discentes para alcançar metas quantitativas, o que pode comprometer a qualidade da pesquisa e a diversidade de temas abordados. 'Há um risco de homogeneização dos trabalhos, com pesquisadores buscando apenas temas que garantam publicações em revistas de alto fator de impacto', alerta Menezes.
Desafios para programas em regiões menos desenvolvidas
Programas de pós-graduação localizados fora dos grandes centros urbanos enfrentam dificuldades adicionais para atender aos novos critérios da CAPES. A falta de infraestrutura, recursos financeiros limitados e menor acesso a redes de colaboração internacional são alguns dos obstáculos citados por especialistas. 'A avaliação não considera as desigualdades regionais, o que pode aprofundar ainda mais as disparidades no sistema de pós-graduação brasileiro', destaca a análise publicada na Revista Pesquisa FAPESP.