Sionismo e combate ao socialismo: uma tradição histórica de alianças com potências imperialistas
Desde o final do século XIX, o movimento sionista tem se posicionado como um baluarte contra o socialismo e o comunismo, buscando apoio de potências imperialistas europeias. Especialista da Universidade Columbia analisa como essa estratégia se reflete em campanhas recentes contra lideranças progressistas no Ocidente, como Jeremy Corbyn, Bernie Sanders e Jean-Luc Mélenchon.
Raízes históricas do anticomunismo sionista
Joseph Massad, professor de política árabe moderna e história intelectual da Universidade Columbia, argumenta em artigo publicado pelo Middle East Eye que o sionismo foi construído como uma barreira contra o socialismo e o comunismo. Segundo Massad, desde o fim do século XIX, o movimento sionista buscou apoio das potências imperialistas europeias ao se apresentar como um instrumento de contenção das ideologias progressistas. "O sionismo foi construído como um baluarte contra o socialismo", afirma o especialista, destacando que essa estratégia foi adotada por países como Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, que viam no movimento uma forma de combater a influência soviética.
Campanhas recentes contra lideranças progressistas
Massad elenca uma série de campanhas sionistas destinadas a enfraquecer figuras progressistas no Ocidente. Entre os alvos estão o ex-líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn, o senador norte-americano Bernie Sanders, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e o líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon. Para o professor, essas ações são "meras continuações" de uma tradição histórica de combate ao socialismo, que remonta ao final do século XIX. "As recentes maquinações antiprogressistas sionistas são parte de uma estratégia reacionária", avalia.
Alianças internacionais e apoio a ditaduras
Após a criação do Estado de Israel em 1948, o anticomunismo continuou a orientar as alianças internacionais do país. Massad destaca que Israel manteve relações próximas com potências antissoviéticas, como Grã-Bretanha, França e Estados Unidos. Além disso, o país apoiou ditaduras de direita na América Latina durante a Guerra Fria, incluindo regimes na Guatemala, Chile, Argentina e El Salvador. O especialista também menciona os ataques israelenses contra países árabes socialistas, como Síria e Egito, como parte dessa estratégia de alinhamento com forças conservadoras e imperialistas.