Crédito direcionado com juros subsidiados cresce no governo Lula e pressiona Selic para patamar elevado
O crédito direcionado, modalidade com juros menores e subsídios governamentais, registrou aumento no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo dados do Banco Central (BC). Esse crescimento influencia a manutenção da taxa Selic em 14,5% ao ano, um dos patamares mais altos do mundo em termos reais, devido à pressão sobre a política monetária e à necessidade de conter a inflação.
O que é crédito direcionado e por que impacta a Selic
O crédito direcionado consiste em financiamentos com finalidades específicas regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), como setores imobiliário, rural e de infraestrutura. Esses empréstimos possuem taxas de juros menores e prazos mais longos, beneficiados por subsídios governamentais, fontes de recursos mais baratas e garantias públicas. Segundo o Banco Central, o aumento dessa modalidade de crédito pressiona a taxa Selic para cima, pois reduz a eficácia da política monetária. Atualmente, a Selic está fixada em 14,5% ao ano, a segunda maior taxa real de juros do mundo, o que encarece o crédito para consumidores e empresas, freando consumo, investimentos e contratações para controlar a inflação.
Riscos para a economia e alerta do Copom
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em 29 de abril, destacou que o crescimento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a 'taxa de juros neutra' da economia. Esse cenário teria 'impactos deletérios sobre a potência da política monetária' e aumentaria o custo para desinflacionar a economia. O BC justifica que a necessidade de manter a Selic em patamares elevados decorre da menor sensibilidade de parte do crédito às variações da taxa básica, exigindo um esforço maior para conter pressões inflacionárias.