Hantavírus Andes: OMS alerta para surto em navio e transmissão entre humanos intriga especialistas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta sobre novos casos de hantavírus, incluindo um surto em um navio de cruzeiro, mas considera que a situação deve permanecer 'limitada'. A cepa Andes, transmitida pelo rato-de-cauda-longa, é a única variante conhecida capaz de se disseminar entre humanos, levantando preocupações sobre sua excepcionalidade e dificuldade de estudo.
Transmissão e fatores ambientais
O hantavírus Andes, endêmico na Patagônia argentina e chilena, tem como reservatório o roedor *Oligoryzomys longicaudatus*, conhecido como rato-de-cauda-longa. A infecção inicial ocorre por exposição à saliva, urina ou fezes de roedores infectados, geralmente em ambientes fechados. Especialistas apontam que eventos climáticos, como chuvas intensas associadas ao El Niño, podem aumentar a população de roedores ao proporcionar mais alimento e vegetação, elevando o risco de contato humano. No entanto, secas e incêndios tendem a reduzir essas populações. O biólogo Raúl González Ittig, da Universidade Nacional de Córdoba, destaca que o crescimento no número de roedores não necessariamente resulta em surtos, mas amplia as chances de infecção, especialmente em trabalhadores rurais.
Transmissão entre humanos e desafios de pesquisa
A cepa Andes é a única variante do hantavírus comprovadamente capaz de transmissão entre pessoas, um fenômeno raro e restrito a surtos específicos, como os registrados na Patagônia em 1996 e 2018, além do recente caso no navio de cruzeiro 'Hondius'. A infectologista María Ester Lázaro, ex-médica do Hospital Zonal de Bariloche, ressalta que, nesses casos, os fatores ambientais não influenciam a propagação após o primeiro contágio. A transmissão interpessoal ocorre de forma ocasional e limitada, mas sua excepcionalidade torna a cepa Andes um objeto de estudo complexo para pesquisadores.