A história do USB: do cabo que só encaixa de um lado ao uso pelo iPhone
A tecnologia USB, que revolucionou a indústria ao unificar conexões para periféricos e carregamento, passou por uma evolução complexa desde sua criação em 1996. Desenvolvido por Ajay Bhatt e um consórcio que incluía Intel, Microsoft e IBM, o padrão foi criado para substituir a confusão de portas paralelas e seriais. O texto detalha as fases do USB (1.0 ao 4.0), a introdução do USB-C em 2014, que trouxe a reversibilidade, e a decisão da União Europeia em 2022 que forçou a adoção do USB-C em dispositivos como o iPhone 15 para reduzir o lixo eletrônico e padronizar o mercado.
O cenário antes do USB
Antes do padrão USB, conectar periféricos como mouses e impressoras era um processo fragmentado. O mercado utilizava portas paralelas, seriais e conectores PS/2, cada um com formatos e softwares específicos. A busca por um padrão unificado começou em 1992 com o projeto PCI, que introduziu o conceito 'plug & play'.
A criação de um padrão
O projeto, inicialmente chamado de Serial Box, uniu empresas como IBM, Microsoft e Intel. O nome 'Universal Serial Bus' reflete sua versatilidade: 'Universal' por servir a diversos periféricos; 'Serial' por transmitir dados de forma contínua e confiável; e 'Bus' por ser o caminho de comunicação entre o acessório e o computador principal. O USB 1.0, lançado em 1996, já enfrentava críticas pelo conector não ser reversível, uma escolha feita para manter o custo baixo e facilitar a adoção em massa.
A popularização do USB
Em 1998, o USB 1.1 ganhou apelo comercial, e o USB-IF foi fundado para garantir a organização do padrão. Nesse período, a Apple utilizava o FireWire, que era mais caro devido a taxas de licenciamento. O ano 2000 marcou a chegada do USB 2.0 (Hi-Speed), essencial para a era das câmeras digitais, e a introdução do USB On-The-Go, permitindo que celulares funcionassem como dispositivos principais. Foi também a era de ouro dos pendrives, lançados pela M-Systems.
USB em todos os lugares
A tecnologia expandiu para o setor automotivo em 2006 e para dispositivos móveis em 2007 com o microUSB. Em 2008, o USB 3.0 (SuperSpeed) elevou as taxas de transferência. Em 2012, o protocolo Power Delivery permitiu que o USB fosse usado para carregar dispositivos de alta potência. O mercado também viu o surgimento do Thunderbolt pela Intel e Apple, focado em alta performance.
O pedido atendido: surge um USB reversível
Em 2014, o USB-C foi introduzido, oferecendo um formato menor e reversível. Embora mais caro inicialmente, ele unificou diversos tipos de conexão. Em 2017, o USB 3.2 trouxe novos picos de velocidade, e em 2019, o USB 4 alcançou 40 Gb/s. O padrão mais recente, USB4 Versão 2.0, chega a 80 Gb/s. Em 2022, a União Europeia impôs a obrigatoriedade do USB-C para dispositivos eletrônicos, forçando a Apple a abandonar o conector Lightning no iPhone 15 para reduzir o lixo eletrônico e facilitar a vida do consumidor.