ONU alerta que proteção de crianças no ambiente digital é 'prioridade urgente' e critica limitações de restrições etárias
A Organização das Nações Unidas (ONU) classificou a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital como uma 'prioridade urgente'. O alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, criticou o foco exclusivo em restrições etárias, afirmando que os abusos online estão ligados a decisões de design e práticas comerciais das plataformas, como rolagem infinita e notificações constantes. Türk defendeu que governos e empresas adotem medidas mais amplas, incluindo proteções integradas desde a concepção dos produtos.
Críticas às restrições etárias
Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, destacou que proibir o acesso de menores a redes sociais, como feito na Austrália (para menores de 16 anos) e proposto na França (para menores de 15 anos), não resolve o problema central. Segundo Türk, essas medidas podem ser facilmente contornadas e não alteram os algoritmos e mecanismos que incentivam o uso excessivo e prejudicial das plataformas. Ele reforçou que a responsabilidade não deve ser transferida apenas para pais e usuários, mas sim incorporada ao design dos produtos digitais.
Riscos e dados alarmantes
A ONU alertou que mais de 10 milhões de crianças em países de baixa e média renda já sofreram abuso sexual na internet. Türk enfatizou que os recursos viciantes das plataformas, como reprodução automática de vídeos e notificações constantes, contribuem para a exposição a riscos. Ele pediu que as empresas de tecnologia adotem mecanismos de proteção 'desde a concepção' dos aplicativos, em vez de implementar soluções paliativas.