Coco Chanel e o nazismo: a moda de luxo a serviço da barbárie
A reportagem revela o lado sombrio da trajetória de Coco Chanel, que, além de revolucionar a moda com peças práticas e o icônico 'little black dress', foi uma colaboradora ativa do regime nazista. A estilista atuou como espiã da Abwehr, manteve um relacionamento com um oficial do serviço secreto de Hitler e utilizou leis de arianização para tentar tomar a empresa de seus sócios judeus. Após a guerra, ela chegou a pagar para que oficiais nazistas não revelassem suas atividades comprometedoras, enquanto sua imagem pública foi posteriormente reabilitada e as evidências de seu antissemitismo foram minimizadas.
Da miséria ao mundo da alta costura
Gabrielle Bonheur Chanel nasceu em 1883 em condições precárias e, após perder a mãe cedo, foi para um orfanato. Aos 18 anos, começou a trabalhar como costureira e cantora de cabaré, onde ganhou o apelido de 'Coco'. Sua ascensão social permitiu que ela se relacionasse com homens influentes, que financiaram suas primeiras lojas e a estabeleceram como uma das figuras mais influentes da moda, introduzindo roupas mais simples e funcionais que desafiavam as silhuetas de espartilho da época.
Chanel Nº 5
Em 1924, Chanel firmou uma parceria com os irmãos judeus Pierre e Paul Wertheimer para criar o perfume Chanel Nº 5. Embora o sucesso fosse global, Chanel sentia-se injustiçada com sua participação nos lucros e recorreu a declarações antissemitas e ao financiamento de publicações de extrema-direita durante as décadas de 1930.
A colaboração com os nazistas
Durante a ocupação da França, Chanel viveu no Hotel Ritz e tornou-se espiã da Abwehr (agente F-7124, codinome 'Westminster'). Ela manteve um relacionamento com o barão Hans Günther von Dincklage, um oficial ligado à Gestapo e à SS. Ela participou de missões de espionagem, incluindo a Operação Modellhut, que visava negociar uma paz separada entre a Alemanha e o Reino Unido através de seus contatos na alta sociedade.
A ofensiva pela Parfums Chanel
Utilizando a colaboração com os nazistas, Chanel tentou usar as leis de arianização para expropriar a empresa de seus sócios judeus. Embora os Wertheimer tenham conseguido manter o controle da marca, a relação entre a estilista e o regime nazista foi consolidada por meio de pressões políticas e jurídicas durante o conflito.
Pós-guerra e reabilitação
Após a libertação de Paris, Chanel foi interrogada sobre seus vínculos com a Abwehr, mas não foi processada, possivelmente devido à proteção de contatos poderosos. Ela se mudou para a Suíça e, em 1951, pagou para que um oficial nazista não publicasse memórias que revelassem suas atividades. Na década de 1950, sua imagem pública foi reconstruída, e a marca Chanel, ainda hoje controlada pelos Wertheimer, permanece como um dos maiores impérios do luxo mundial.