Irã Praticamente Fecha Estreito de Ormuz Após Ataques; ONU Discute Uso da Força
O Irã intensificou o bloqueio do Estreito de Ormuz, principal rota de transporte de petróleo e gás, desde os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Cerca de 221 navios realizaram travessias, com a maioria originária ou com destino ao Irã. O Conselho de Segurança da ONU debate uma resolução para proteger a navegação, mas China, Rússia e França se opõem ao uso da força.
Fluxo de Navios e Origem da Carga
De 1º de março a 3 de abril, 221 embarcações de transporte de petróleo, gás ou outros produtos cruzaram o Estreito de Ormuz. Segundo dados da Kpler, 240 travessias foram registradas, sendo 122 de navios vazios e 118 carregados. Seis em cada dez travessias foram de navios com origem ou destino ao território iraniano, totalizando 64% quando transportavam carga. Outros países com travessias incluem Emirados Árabes Unidos (20%), China (15%), Índia (14%), Arábia Saudita (8%), Omã (8%), Brasil (6%) e Iraque (5%). Seis navios, majoritariamente do Brasil e Argentina, transportaram 382.000 toneladas de soja ou milho para o Irã. Das 118 travessias com carga, 37 transportavam petróleo, totalizando 8,45 milhões de toneladas, com sete petroleiros partindo da Arábia Saudita.
Debate na ONU e Oposição ao Uso da Força
O regime iraniano alertou contra qualquer ação provocadora para forçar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, advertiu que o uso da força tornaria a situação ainda mais complicada. Um projeto de resolução apresentado pelo Bahrein para proteger a navegação e garantir a segurança dos navios, permitindo o uso de meios defensivos por pelo menos seis meses, está em discussão no Conselho de Segurança da ONU. No entanto, China, Rússia e França, com poder de veto, expressaram forte oposição ao texto, rejeitando qualquer linguagem que permita o uso da força. A votação, prevista para 3 de abril, foi adiada para 4 de abril devido ao feriado da Semana Santa. O enviado da China à ONU, Fu Cong, afirmou que autorizar o uso da força 'legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força' e levaria a uma escalada com 'graves consequências'.