Terremoto histórico na Venezuela deixa centenas de mortos e sistema funerário em colapso
Maior terremoto da Venezuela desde 1900, com magnitudes de 7,2 e 7,5, devastou a costa do país no final de junho de 2026. La Guaira, cidade mais afetada, enfrenta cenas de horror com corpos empilhados nas ruas e necrotérios incapazes de lidar com a quantidade de vítimas. Famílias buscam parentes em meio a condições desumanas.
Cenas de horror em La Guaira
O repórter do The Intercept chegou a La Guaira, cidade no entorno de Caracas, 48 horas após os terremotos que atingiram magnitudes de 7,2 e 7,5. Nas ruas, corpos estavam empilhados em esquinas, cobertos por lençóis, edredons e mantas. Famílias percorriam o local em busca de parentes, levantando os tecidos que cobriam os rostos dos mortos. "É difícil demais reconhecer alguém nesse estado", relatou um homem após sua busca infrutífera. O sistema funerário venezuelano entrou em colapso, com corpos sendo depositados em condições precárias no necrotério local, sem tratamento digno. Mãos enegrecidas pelos edemas se estendiam para cima, enquanto dezenas de pessoas tentavam identificar seus entes queridos em meio ao caos.
Crise estrutural agrava resposta ao desastre
A Venezuela, já afundada em uma crise estrutural, enfrentou dificuldades extremas para responder ao desastre. O Estado, depauperado, não conseguiu organizar uma resposta eficiente, resultando em cenas de abandono e desespero. Corpos retirados de edifícios destruídos em Catia la Mar, também em La Guaira, aguardavam transferência para necrotérios em condições insalubres. A falta de infraestrutura e recursos agravou a situação, expondo a vulnerabilidade do país diante de catástrofes naturais de grande magnitude.