Dingo é enterrado com rituais humanos há mil anos por povos aborígenes na Austrália
Arqueólogos descobriram que ancestrais do povo Barkindji, na Austrália, enterraram um dingo com os mesmos cuidados e cerimônias reservados a humanos há cerca de mil anos. O animal foi encontrado em um monte de conchas em Nova Gales do Sul, evidenciando laços profundos entre dingoes e comunidades indígenas.
Descoberta arqueológica revela relação ancestral
Pesquisadores da Universidade de Sydney e do Australian Museum estudaram um enterro de dingo (chamado *garli* na língua Barkindji) em Kinchega National Park, na Austrália. O animal foi sepultado há aproximadamente mil anos em um monte de conchas de mexilhão de rio, posicionado de lado, como em rituais humanos. A descoberta sugere que os dingoes eram tratados como membros queridos da comunidade, segundo a arqueóloga Amy Way. O sítio foi identificado em 2021 pelo ancião Barkindji Uncle Badger Bates e pelo arqueólogo Dan Witter, após ossos do animal serem expostos pela erosão em um corte de estrada.
Cuidados com o túmulo por séculos
O estudo revelou que o túmulo do dingo foi mantido e preservado por gerações, indicando um vínculo emocional e cultural duradouro. A prática de enterrar animais com cerimônias similares às humanas é rara e reforça a importância dos dingoes na sociedade aborígene, não apenas como companheiros, mas como parte integrante da identidade e espiritualidade do povo Barkindji.