Irã prepara nova fase de escalada militar no Oriente Médio
Relatórios do Wall Street Journal e New York Times revelam que o regime iraniano aproveitou períodos de trégua para reforçar forças armadas e preparar ações no Estreito de Ormuz. A estratégia de Teerã visa manter o país em estado de preparação permanente para o conflito.
Estratégia de Escalada e Desconfiança Diplomática
O Irã iniciou uma estratégia de escalada em junho, após a assinatura de um memorando de entendimento com o presidente Donald Trump. O acordo previa o fim de operações militares, a reabertura do Estreito de Ormuz e negociações sobre o programa nuclear em troca de alívio de sanções e acesso a fundos de reconstrução. No entanto, a liderança iraniana passou a desconfiar que o pacto serviria apenas para permitir que Estados Unidos e Israel se reorganizassem para novos ataques. Como resultado, a Guarda Revolucionária intensificou ataques a navios na rota de Ormuz e pressionou forças americanas na região, incluindo o lançamento de mísseis contra a Jordânia em julho.
Reorganização Interna e Divisões no Regime
O líder supremo Mojtaba Khamenei nomeou veteranos da Guarda Revolucionária e da guerra Irã-Iraque para postos estratégicos, incluindo Mohsen Rezaei e Hossein Taeb. A reorganização visa fortalecer a inteligência interna e manter o país em prontidão militar constante. Existe uma divisão interna no governo: enquanto parte da liderança defende a diplomacia a partir de uma posição de força, setores mais duros priorizam a resistência à pressão econômica. O governo enfrenta o dilema de que prolongar o conflito pode aumentar o poder de barganha, mas agrava a inflação, a desvalorização da moeda e a crise energética interna.