Trump publica montagem de si mesmo 'segurando' a Groenlândia e reacende tensão diplomática
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem manipulada em que aparece 'segurando' a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, em postagem no Truth Social. A publicação ocorre em meio a pressões dos EUA para ampliar influência na região do Ártico, considerada estratégica por sua localização e reservas minerais. Líderes dinamarqueses e groenlandeses reafirmam que o território 'não está à venda'.
Contexto e reações diplomáticas
A postagem de Trump, feita neste sábado (23), mostra uma montagem digital em que o presidente aparece em escala gigante sobre a Groenlândia, com a mão posicionada sobre o território e a frase 'Hello, Greenland!'. A imagem foi divulgada sem legenda adicional, mas reforça o interesse público de Trump pela ilha, que abriga a base espacial americana de Pituffik, utilizada para monitoramento militar e espacial. Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem defendido que os EUA deveriam assumir o controle da Groenlândia, citando a segurança nacional e o avanço de Rússia e China no Ártico como justificativas. A postura gerou desconforto diplomático, com o presidente francês Emmanuel Macron declarando que a Groenlândia 'não está à venda, nem será tomada'. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas também reiteraram que a soberania do território não está em negociação. Em Nuuk, capital da Groenlândia, manifestações contrárias à aproximação americana foram registradas durante a visita de um enviado especial de Trump, com moradores exibindo cartazes em defesa da autonomia local.
Histórico de interesse dos EUA
O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia não é recente. Durante seu primeiro mandato, Trump chegou a sugerir a compra do território, proposta que foi prontamente rejeitada pela Dinamarca. A Groenlândia, com cerca de 56 mil habitantes, possui autonomia interna, mas depende economicamente da Dinamarca, que controla suas relações externas e defesa. A região é rica em recursos naturais, como terras raras, urânio e petróleo, além de ocupar uma posição geopolítica crucial no Ártico, onde o derretimento do gelo tem ampliado rotas comerciais e disputas territoriais. A base de Pituffik, operada pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, é um dos principais pontos de monitoramento do espaço aéreo e de mísseis no Hemisfério Norte.