Louis Armstrong e a relação histórica do jazz com a cannabis nos anos 1920 e 1930
Em 1927, o músico Louis Armstrong experimentou cannabis pela primeira vez em um clube de Chicago, marcando o início de uma relação duradoura com a substância. Armstrong, que via a planta como uma 'medicina' e 'assistente', passou a usá-la antes de apresentações e gravações, incluindo o lançamento de 'Muggles' em 1928, uma das primeiras peças de jazz a explorar improvisação sob influência da cannabis. Sua prisão em 1931 na Califórnia, por posse de um cigarro de maconha, reforçou a conexão entre a música rebelde e a planta, apesar das leis proibicionistas da época.
Primeiro contato e influência na música
Louis Armstrong, aos 26 anos, fumou cannabis pela primeira vez em 1927, em um clube de Chicago, após receber um cigarro de maconha (chamado 'reefer') do músico Mezz Mezzrow. Na época, a substância ainda era legal no estado de Illinois. Armstrong descreveu a experiência como prazerosa e passou a associar a cannabis a benefícios medicinais, comparando-a a ervas naturais que sua mãe usava em Nova Orleans. Ele começou a fumar antes de concertos e sessões de gravação, destacando seu efeito relaxante e inspirador. Em 1928, gravou 'Muggles', uma faixa instrumental cujo título era gíria para cannabis, considerada uma das primeiras composições de jazz a capturar a improvisação musical sob influência da substância.
Prisão e repercussão
Em 1931, Armstrong se mudou para a Califórnia, onde a cannabis já era proibida. Durante uma apresentação em Hollywood, foi preso junto a outro músico por fumar um cigarro de maconha no estacionamento do clube. Enfrentando uma possível pena de seis meses de prisão por posse de meio cigarro, Armstrong passou nove dias na cadeia de Los Angeles enquanto seus advogados negociavam sua liberdade. O juiz concedeu uma sentença suspensa, com a condição de que deixasse o estado. Ao retornar a Chicago, foi recebido como herói por seus fãs. O episódio reforçou a imagem de Armstrong como um ícone rebelde, associando ainda mais o jazz e a cannabis à contracultura da época.