Brasil no centro da disputa geopolítica entre EUA e China pela liderança em inteligência artificial
O Brasil se tornou um campo de batalha estratégico na corrida global por hegemonia tecnológica em inteligência artificial (IA). Enquanto Estados Unidos e China disputam influência, o país é pressionado a escolher lados em uma competição que envolve investimentos bilionários, acordos de cooperação e riscos de dependência tecnológica. A decisão pode definir o futuro da infraestrutura digital brasileira e o viés dos sistemas de IA adotados no setor público e privado.
Disputa geopolítica e investimentos bilionários
O Brasil é alvo de uma intensa disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial. Em 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva autorizando a exportação de 'pacotes completos' de IA para mercados emergentes, incluindo o Brasil, ao lado de Egito e Indonésia. O objetivo é consolidar a presença norte-americana antes que a influência chinesa se torne irreversível. Paralelamente, o país firmou um memorando de entendimento com Pequim para cooperação em IA, além de receber anúncios de investimentos bilionários em data centers por parte de gigantes como Microsoft, Amazon e Oracle.
Riscos da dependência tecnológica e viés estrutural
A disputa não se limita à exportação de chips ou hardware. O ponto crítico é quem controla o treinamento dos modelos de IA utilizados no Brasil. Sistemas já adotados no setor público e privado — como análise de crédito, triagem de políticas públicas, recomendação de conteúdo e gestão de contratos — foram desenvolvidos majoritariamente por empresas dos EUA. Isso significa que tais modelos refletem padrões, dados e realidades daquele país, aprofundando um viés estrutural que pode não corresponder às necessidades brasileiras. A dependência de infraestrutura cognitiva estrangeira coloca em risco a autonomia tecnológica do Brasil.