Estudo da Fiocruz: Risco de Síndrome Neurológica Grave Após Infecção por Dengue é 16,7 Vezes Maior
Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) quantifica o risco de Síndrome de Guillain-Barré (SGB) após infecção por dengue, apontando uma chance 16,7 vezes maior nas seis semanas seguintes à contaminação. Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine, baseiam-se na análise de mais de 5.000 casos de SGB no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023 e 2024.
Aumento do Risco de Síndrome Neurológica
Uma análise da Fiocruz de Salvador revelou que indivíduos infectados pelo vírus da dengue apresentam um risco 16,7 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas primeiras seis semanas após a infecção, em comparação com períodos posteriores. A SGB é uma condição neurológica que pode causar formigamento em mãos e pés, fraqueza muscular, dores nas costas, dificuldades de fala e deglutição, visão dupla, confusão mental, tremores e, em casos severos, paralisia dos músculos respiratórios. O estudo examinou registros de 5.055 pacientes hospitalizados com SGB no SUS entre 2023 e 2024, identificando 89 casos com SGB ocorridos nas primeiras 42 dias após infecção por dengue. O coordenador da pesquisa, Manoel Barral-Netto, destacou que o resultado foi "mais alto do que esperávamos".
Comparação com Outros Agentes e Incidência da Dengue no Brasil
O risco associado à dengue para o desenvolvimento da SGB é comparável ao de outros agentes conhecidos por desencadear a síndrome, como o vírus influenza e a bactéria Campylobacter jejuni. A incidência da SGB é considerada rara, afetando cerca de 35 pessoas em cada grupo de 1 milhão. Em 2025, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos de dengue e 1.793 mortes, representando uma diminuição de 70% em relação ao ano anterior. Relatos associando dengue à SGB existem desde 1998 em diversos países, mas a dimensão exata desse risco permanecia incerta até este estudo.
Pico do Risco Inicial
De acordo com o estudo, o risco de desenvolver a SGB é significativamente maior no início da infecção pelo vírus da dengue, podendo ser até 30 vezes maior nas primeiras uma ou duas semanas. O médico e imunologista Helton da Costa Santiago, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que não participou da pesquisa, atribui essa elevação à instabilidade do sistema de defesa do organismo durante a infecção.