Acumulação compulsiva: Caso de idosa com 50 toneladas de lixo em casa expõe transtorno de saúde mental
Uma idosa de 65 anos foi encontrada vivendo em condições insalubres em Guarulhos, SP, com cerca de 50 toneladas de lixo acumuladas em sua residência ao longo de 20 anos. O caso evidencia a acumulação compulsiva, um transtorno mental caracterizado pelo apego excessivo a objetos, independentemente de seu valor material ou utilidade, e que pode gerar riscos à saúde e isolamento social. Especialistas destacam que o problema está associado a quadros de depressão e ansiedade, exigindo tratamento contínuo e multidisciplinar.
O que é a acumulação compulsiva?
A acumulação compulsiva é um transtorno mental reconhecido pela comunidade médica, no qual a pessoa desenvolve um apego emocional excessivo a objetos, mesmo que não tenham valor prático ou sentimental aparente. Segundo o psiquiatra Daniel Costa, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, o descarte desses itens torna-se extremamente doloroso para o indivíduo, comparável à perda de algo de grande valor material. O transtorno frequentemente está associado a outros problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, e pode levar ao isolamento social e a riscos físicos, como infestações de pragas e danos estruturais à residência.
Riscos e impactos na vida cotidiana
Em casos avançados, como o da idosa de Guarulhos, a acumulação compulsiva pode transformar o ambiente doméstico em um espaço inabitável e perigoso. A residência da mulher apresentava infestação de insetos e roedores, além de riscos à estrutura do imóvel, afetando não apenas sua saúde, mas também a dos vizinhos. Daniel Costa ressalta que o diagnóstico do transtorno exige que o acúmulo impeça o uso de cômodos da casa e cause prejuízos significativos à vida da pessoa. O caso expõe a necessidade de intervenções que vão além da limpeza física, exigindo acompanhamento psicológico e psiquiátrico para tratar as causas emocionais do problema.
Tratamento e desafios
O tratamento da acumulação compulsiva é complexo e não possui soluções rápidas. Especialistas destacam que a abordagem deve ser contínua e multidisciplinar, envolvendo terapia cognitivo-comportamental, medicamentos para quadros associados, como depressão, e suporte social. A resistência ao descarte dos objetos acumulados é um dos principais desafios, uma vez que o apego emocional dificulta a adesão ao tratamento. No caso da idosa de Guarulhos, uma ação coordenada entre vizinhos, autoridades locais e profissionais de saúde foi fundamental para iniciar o processo de desocupação e limpeza da residência, mas o acompanhamento psicológico permanece essencial para evitar recaídas.