Espiã da KGB atuou como babá no Uruguai e envenenou marido no sofá onde servia leite a criança
A espanhola África de las Heras, agente secreta da KGB com codinome 'Patria', usou o Uruguai como base de operações durante a Guerra Fria. Sob a fachada de babá e costureira, ela envenenou o próprio marido no sofá onde servia lanches à escritora argentina Laura Ramos, então com 7 anos. A revelação foi feita no livro 'Mi niñera de la KGB', após investigação de cinco anos.
Identidade falsa e operações secretas
África de las Heras, nascida na Espanha, adotou múltiplas identidades para atuar como espiã da KGB. No Uruguai, entre as décadas de 1950 e 1960, ela se apresentou como María Luisa, uma babá e costureira. Na realidade, era uma agente de alta patente, condecorada e com histórico de participação em operações como o assassinato de León Trotsky no México e atividades de espionagem em Paris. Seu codinome na KGB era 'Patria'.
Relação com Laura Ramos e revelação da verdade
A escritora argentina Laura Ramos, que conviveu com África de las Heras na infância, só descobriu a verdadeira identidade da babá décadas depois, após uma investigação detalhada. Em seu livro 'Mi niñera de la KGB', Ramos relata como a espiã envenenou o próprio marido no sofá onde servia leite à criança. A obra é a primeira a documentar, com base em testemunhos pessoais, a atuação da agente na América Latina.
Carreira na KGB e legado
África de las Heras teve uma carreira longa e diversificada na KGB, incluindo atuação como telegrafista na Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial, instrutora de espiões em Moscou e operadora de inteligência no Uruguai. Ela morreu pouco antes do colapso da União Soviética, em 1988, levando consigo segredos que nunca foram revelados. Sua trajetória foi marcada por condecorações e uma rede de espionagem que se estendeu por vários continentes.