Poeta explora o poder simbólico e literário do yodel em ensaio publicado pelo LitHub
O ensaio 'A Poet’s Account of the Power of the Yodel', publicado pelo LitHub, analisa o yodel como metáfora da vulnerabilidade humana, da dualidade entre ocultação e exposição, e sua presença na poesia contemporânea. A autora destaca a obra 'Y’ol', da poeta turca Birhan Keskin, traduzida por Murat Nemet-Nejat, como exemplo da ruptura lírica associada ao yodel.
O yodel como metáfora da condição humana
O ensaio descreve o yodel como 'o reconhecimento perfeito daquilo que não pode mais ser escondido e, portanto, daquilo que sempre tivemos que esconder'. A autora associa o som a uma 'maçã de Adão trêmula', comparando-o a ruídos involuntários e embaraçosos, como um crocitar ou pigarrear. O texto enfatiza que o yodel 'deve ser perdoado' e representa um ato de coragem ao expor fragilidades, como 'arriscar a mão ao espinho para colher a rosa'. A dualidade entre violência e inocência é destacada: 'O yodel contém sua própria violência e sua própria inocência'.
O yodel na poesia de Birhan Keskin
O ensaio cita trechos da obra 'Y’ol', da poeta turca Birhan Keskin, traduzida por Murat Nemet-Nejat, para ilustrar como o yodel se manifesta na poesia. Um dos versos reproduzidos é: 'Você é muito humano, meu querido, muito humano, / enquanto eu sou um bárbaro, uma besta, / minha língua fala de perdão, de dá-lo / de graça e a sua de justiça / vingança'. A autora interpreta esses versos como a 'vingança da futilidade da serenata', onde o yodel simboliza a ruptura entre o lírico e o visceral. O título da obra, 'Y’ol', é apontado como uma alusão direta ao termo 'yodel'.
O yodel como voz do limiar
O texto define o yodel como um som que habita 'o limiar', comparando-o a 'a gaiola se abrindo e a mão se movendo em direção ao pássaro, enquanto o pássaro se debate contra a mesma gaiola'. A autora associa o yodel a uma voz 'tanto dos mortos quanto da criança', destacando sua natureza exilada e ambígua. A palavra 'thrush' (tordo) é citada como exemplo de dupla significação, referindo-se tanto a um pássaro canoro quanto a uma infecção bucal, reforçando a ideia de dualidade entre beleza e dor.