Lula adota reciprocidade contra EUA após cassação de credenciais de militar americano, mas repercussão é menor que tarifaço de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aplicou o princípio da reciprocidade ao cassar as credenciais de um militar dos EUA e determinar sua saída do Brasil, em resposta a ações semelhantes do governo americano. Embora a medida seja considerada acertada diplomaticamente, a mobilização nas redes sociais não alcançou o mesmo impacto do 'tarifaço' imposto por Donald Trump em 2025, que gerou mais de 5,9 milhões de menções e críticas unificadas.
Contexto e decisão diplomática
O governo brasileiro adotou a reciprocidade após os Estados Unidos cassarem as credenciais de um delegado brasileiro, Alexandre Ramagem, e o convidarem a deixar o país. A medida de Lula visa reforçar a soberania nacional e evitar tratamentos desiguais, alinhando-se à postura histórica do presidente de não aceitar imposições unilaterais dos EUA. A decisão foi tomada em um contexto de tensões diplomáticas, mas sem a mesma repercussão política observada em episódios anteriores, como o tarifaço de 2025.
Comparação com o tarifaço de 2025
Um estudo da Ativaweb DataLab revelou que o 'tarifaço' imposto por Donald Trump em julho de 2025, com aumento de 50% em tarifas sobre produtos brasileiros, gerou 5,9 milhões de menções nas redes sociais. Desse total, 58% das postagens criticaram a medida, inclusive entre a base conservadora, criando um raro momento de unidade nacional. Em contraste, o caso envolvendo Ramagem e a reciprocidade adotada por Lula em abril de 2026 registrou 3,1 milhões de menções, com impacto significativamente menor e sem a mesma capacidade de mobilização.
Análise de impacto nas redes sociais
Segundo Alek Maracajá, diretor da Ativaweb DataLab, houve uma 'mudança clara no comportamento digital' em torno dos discursos de Lula contra os EUA. Enquanto o tarifaço de 2025 rompeu bolhas ideológicas e gerou ampla repercussão negativa contra Trump, o episódio atual não conseguiu replicar esse efeito. A avaliação é compartilhada por interlocutores do governo, que reconhecem que o caso Ramagem não desperta o mesmo engajamento, apesar da postura firme de Lula em defesa da soberania brasileira.