Pesquisa revela impacto da degradação ambiental na biodiversidade aquática e terrestre no Brasil
Estudo conduzido no Acre demonstra que a perda de matas ciliares reduz significativamente a diversidade de peixes em riachos. Paralelamente, pesquisadores destacam a riqueza da biodiversidade em áreas montanhosas da Amazônia e a importância da classificação do relevo brasileiro para a conservação ambiental.
Degradação de matas ciliares afeta ecossistemas aquáticos no Acre
Pesquisa liderada por Lucas Pires de Oliveira, da Universidade Federal do Acre (UFAC), aponta que a remoção de matas ciliares — vegetação nativa que margeia rios e riachos — está diretamente ligada à redução da diversidade de espécies de peixes em cursos d’água do estado. As matas ciliares desempenham funções essenciais, como a manutenção da qualidade da água, o controle da erosão e a oferta de abrigo e alimento para a fauna aquática. A degradação dessas áreas, frequentemente causada por atividades agropecuárias e desmatamento, compromete a sobrevivência de espécies nativas e altera o equilíbrio dos ecossistemas fluviais.
Biodiversidade em áreas montanhosas da Amazônia
Rafaela Campostrini Forzza, pesquisadora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, destaca a riqueza da biodiversidade nas regiões montanhosas da Amazônia. Expedições científicas têm revelado espécies endêmicas e adaptadas a altitudes elevadas, muitas delas ainda desconhecidas pela ciência. Essas áreas, que incluem serras e tepuis, abrigam ecossistemas únicos, mas enfrentam ameaças como mineração, expansão agrícola e mudanças climáticas. A pesquisadora ressalta a necessidade de políticas públicas para proteger esses ambientes, que são fundamentais para a manutenção da diversidade biológica e dos serviços ecossistêmicos.
Classificação do relevo brasileiro e sua importância
Rosangela Botelho, geógrafa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a classificação do relevo brasileiro, que inclui montanhas ao lado de planaltos e planícies, é essencial para o planejamento ambiental e territorial. As montanhas, embora menos extensas que outras formações, desempenham papéis cruciais na regulação hídrica, na formação de microclimas e na preservação da biodiversidade. A pesquisadora alerta que a falta de reconhecimento dessas áreas em políticas de conservação pode levar à perda irreversível de habitats e espécies.