China revoluciona doutorados com foco em protótipos e soluções tecnológicas em vez de teses tradicionais
Estudantes chineses de pós-graduação em engenharia e setores estratégicos como semicondutores e IA agora podem obter doutorado apresentando protótipos ou soluções tecnológicas em vez de teses escritas. A medida, regulamentada em 2024, visa acelerar a inovação e combater a crise de credibilidade científica no país, onde 40% dos artigos retratados globalmente em 2025 tinham coautores chineses. Onze alunos já se formaram sob o novo modelo, incluindo um que desenvolveu blocos de aço para pontes.
Modelo inovador de doutorado na China
A China implementou uma mudança radical em seu sistema de pós-graduação em 2024, permitindo que estudantes de doutorado em áreas como engenharia, semicondutores e inteligência artificial obtenham o título sem a necessidade de escrever uma tese tradicional. Em vez disso, os alunos podem apresentar protótipos, produtos ou soluções tecnológicas desenvolvidas durante sua formação. O modelo adota uma dupla orientação: um professor acadêmico e um especialista da indústria, visando alinhar a pesquisa com demandas práticas do mercado.
Primeiros casos e aplicações práticas
Em janeiro de 2026, uma turma pioneira de 11 estudantes chineses obteve o doutorado sob o novo sistema. Um dos casos destacados é o de Zheng Hehui, doutor em engenharia civil pela Universidade do Sudeste, em Nanjing. Ele desenvolveu um sistema de blocos de aço reforçado, semelhantes a peças de Lego, que se encaixam para formar pilares de pontes. A tecnologia já está sendo aplicada na construção de uma ponte sobre o rio Yangtzé, demonstrando o potencial do modelo para gerar inovações com impacto imediato na infraestrutura.
Resposta à crise de credibilidade científica
A iniciativa também surge como uma resposta à crise de credibilidade no sistema científico chinês. Apesar de liderar a produção científica global, à frente dos Estados Unidos, a China enfrenta altos índices de má conduta acadêmica. Em 2025, cerca de 40% dos 4,5 mil artigos científicos retratados globalmente — invalidados por erros ou violações éticas — tinham coautores chineses. O problema é atribuído a políticas anteriores que incentivavam publicações a qualquer custo, alimentando a proliferação de 'fábricas de papers', organizações que vendiam artigos falsos ou de baixa qualidade sob encomenda.