Casal de missionários é denunciado por crime ambiental após ocupação irregular em reserva no Amazonas
O Ministério Público do Amazonas denunciou o casal de missionários Beatriz e Robert Ritzentahler por crime ambiental, após recusarem acordo para deixar área de reserva ambiental. Eles construíram imóveis de luxo em terreno irregular na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, em Novo Airão, desmatando mais de 4 mil metros quadrados. Um ex-líder comunitário também foi denunciado.
Detalhes da denúncia e recusa ao acordo
O casal, ligado a uma igreja evangélica dos Estados Unidos, foi denunciado pelo Ministério Público do Amazonas após se recusar a aceitar um acordo proposto pelo promotor João Guimarães Netto. O acordo previa que Beatriz e Robert Ritzentahler entregassem os dois imóveis construídos irregularmente à comunidade Santo Antônio, enquanto o ex-presidente da associação de moradores, Edilson Martins Pinheiro, pagaria uma cesta básica ou prestaria serviços comunitários por 16 meses. "Se eles aceitassem o acordo, iria findar ali todo esse procedimento", afirmou o promotor. A recusa resultou na denúncia formal por crime ambiental, com base em investigações da Polícia Civil do Amazonas que apontaram desmatamento de mais de 4 mil metros quadrados na reserva.
Contexto da ocupação e irregularidades
Beatriz Ritzentahler, brasileira, e Robert Ritzentahler, norte-americano, chegaram à comunidade há 11 anos como missionários adventistas. Eles convenceram moradores a doar um terreno à ONG criada pelo casal, com um termo de doação assinado por Edilson Martins Pinheiro, então representante da comunidade. No entanto, o documento não teria validade legal. "Devastaram uma área, fizeram construção irregular. Então, isso aí é crime ambiental. Como crime ambiental, têm que ser punidos na forma da lei", declarou o promotor João Guimarães Netto. A área ocupada fica dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, em Novo Airão, e as construções foram descritas como "luxuosas".