Comissão conclui que ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou relatório que contesta a versão oficial de acidente automobilístico e conclui que JK foi morto pela ditadura militar. O documento aponta manipulação de provas, testemunhos contraditórios e envolvimento de peritos do IML em fraudes durante a investigação. A relatora Maria Cecília Adão destacou 37 irregularidades no caso.
Conclusões do relatório
O relatório da CEMDP, aprovado por seis votos a favor e uma abstenção, conclui que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 22 de agosto de 1976. A versão oficial de acidente automobilístico na Via Dutra é contestada com base em testemunhos e perícias que indicam manipulação de provas. A relatora Maria Cecília Adão afirmou que um encontro com emissários do então presidente Ernesto Geisel em um hotel teria sido usado para atrair JK ao local do crime. O motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, pode ter sido sedado, e o veículo teria sido adulterado mecanicamente antes da viagem.
Irregularidades e fraudes identificadas
Foram identificadas 37 fraudes na apuração da morte de JK, incluindo a atuação de peritos do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro envolvidos em outras investigações fraudulentas durante a ditadura. Um caminhoneiro testemunhou que o motorista de JK estava debruçado e desacordado antes da colisão. Além disso, o motorista havia relatado algo estranho no veículo antes da viagem, reforçando a hipótese de sabotagem.