Irã enfrenta crise de liderança em meio à guerra com EUA e Israel; Mojtaba Khamenei assume poder em cenário fragmentado
O Irã vive uma crise de liderança desde o início da guerra contra Estados Unidos e Israel em fevereiro de 2026. Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder supremo Ali Khamenei, assumiu o cargo, mas sua autoridade é questionada devido à ausência de aparições públicas e à fragmentação interna do governo. Mensagens oficiais tentam unificar a população, enquanto analistas apontam dificuldades na tomada de decisões estratégicas em meio ao conflito.
Mojtaba Khamenei: um líder invisível em tempos de guerra
Mojtaba Khamenei assumiu o cargo de líder supremo do Irã em 28 de fevereiro de 2026, após a morte de seu pai, Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra contra Estados Unidos e Israel. No sistema da República Islâmica, o líder supremo detém poder decisivo sobre questões estratégicas, como guerra e paz. No entanto, Mojtaba não foi visto em público desde sua ascensão, limitando-se a declarações escritas, como a que reforçou o fechamento do Estreito de Ormuz. Fontes citadas pelo *The New York Times* indicam que ele pode ter sofrido ferimentos nos ataques iniciais, incluindo lesões faciais que dificultariam sua fala. Sua ausência contrasta com o estilo performativo de seu pai, que usava discursos e aparições para sinalizar intenções e mediar disputas entre facções.
Fragmentação interna e mensagens de unidade
A liderança iraniana enfrenta críticas por sua aparente falta de coesão. O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu o governo de Teerã como 'fraturado' e afirmou que a Casa Branca aguarda uma 'proposta unificada' do Irã. Em resposta, autoridades iranianas enviaram uma mensagem à população via celular na noite de 25 de abril, reforçando que 'não existe radical ou moderado no Irã: existe apenas uma nação, um rumo'. Analistas apontam que a ausência de um líder visível e atuante dificulta a interpretação das decisões estratégicas do país, especialmente em um contexto de guerra. A fragmentação interna é agravada pela necessidade de equilibrar interesses entre as Forças Armadas, o Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica e outras facções políticas.